O mioma representa o tumor benigno mais comum entre a população feminina: ele acomete cerca de 25% das mulheres em idade reprodutiva (entre 25 e 45 anos). Os miomas originam-se na parede do útero e são constituídos, basicamente, por fibras musculares. Não trata-se de um câncer, e nem de uma condição que pode evoluir para um câncer.

Miomas uterinos causam medo e significativa morbidade e podem comprometer o desempenho laboral, de acordo com uma pesquisa, publicada recentemente, com cerca de 1.000 mulheres nos EUA. Os resultados foram publicados no American Journal of Obstetrics and Gynecology e no Journal of Women’s Health.

Os resultados lançam uma nova luz sobre as preocupações dos impactos, da prevalência e do tratamento relacionados aos miomas uterinos, ou simplesmente miomas, que afetam até 80% das mulheres aos 50 anos. Neste artigo, saiba mais sobre os miomas uterinos e o impacto que provocam na vida profissional das pacientes acometidas.

Saiba Mais sobre os Miomas Uterinos

Os miomas manifestam-se em tamanhos variados e podem crescer nas paredes internas ou externas do útero. Em alguns casos, eles não vêm associados a sintomas, e por isso permanecem subdiagnosticados e/ou ignorados pelas pacientes. Seu diagnóstico se dá por meio da ultrassonografia pélvica ou transvaginal.

O grupo que está mais suscetível ao desenvolvimento da doença são as mulheres entre 35 e 50 anos, devido à exposição prolongada aos hormônios estrógeno e progesterona, que promovem o crescimento dos miomas.

Os casos de mioma uterino que vêm associados a sintomas podem provocar dor pélvica, aumento do volume abdominal, sangramento excessivo no fluxo menstrual e até infertilidade. Os sintomas variam de acordo com a localização e o estágio do mioma.

Além de ser uma das complicações ginecológicas mais comuns, o mioma uterino configura o segundo principal problema de saúde que provoca afastamento feminino do trabalho, perdendo apenas para as dores no joelho.

Impacto do Mioma Uterino no Desempenho Laboral – Estudo

Segundo os pesquisadores, o maior objetivo da pesquisa era entender melhor a experiência e as necessidades das mulheres com miomas. “Muitas pessoas não sabem que a grande maioria das mulheres sofre com miomas uterinos e que esta condição pode causar morbidade significativa para aquelas que são sintomáticas”, explica o ginecologista Carlos Del Roy, CRM-SP 62.224.

A pesquisa avaliou o diagnóstico, os comportamentos pela busca de informação, os reflexos sobre a fertilidade, o impacto sobre o trabalho e as alternativas terapêuticas entre mulheres com miomas uterinos diagnosticados há mais de nove anos.

“Os pesquisadores descobriram que as mulheres que procuram tratamento adiam essa decisão em média 3,6 anos; 32% das mulheres esperam mais de cinco anos para tratar os miomas. A maioria delas relatou medos associados aos seus fibroides, incluindo ter medo de que os miomas cresçam (79%) e de que elas precisem de uma histerectomia (55%), bem como temores sobre relacionamentos, função sexual, imagem corporal, perda de controle e desesperança”, destaca o médico.

Quase dois terços (66%) das mulheres estavam preocupadas com os dias de trabalho perdidos devido aos seus sintomas, e 24% das mulheres empregadas declararam que seus sintomas impediram que atingissem um posto mais alto em suas carreiras.

Impacto do Mioma Uterino sobre a Saúde

A grande maioria disse que prefere uma opção de tratamento minimamente invasiva, com preservação do útero. “Ter acesso a melhores opções de tratamento é particularmente importante para as mulheres negras, que experimentam os impactos sobre a fertilidade mais cedo em decorrência dos miomas. Os miomas uterinos têm uma prevalência três vezes maior entre as mulheres negras, além de um início mais precoce da doença. O estudo demonstrou que a carga dos miomas uterinos é ainda mais extensa para as mulheres negras do que o relatado anteriormente”, informa Carlos Del Roy.

Os pesquisadores descobriram que mulheres negras são significativamente mais propensas a ter sintomas graves ou muito graves, incluindo menstruação intensa ou prolongada e anemia. Mulheres negras mais frequentemente relatam que os miomas interferem na prática de exercícios físicos e nos relacionamentos, além de provocarem mais faltas ao trabalho neste grupo. Quase um terço (32%) das mulheres negras esperaram mais de cinco anos antes de procurar tratamento para seus miomas, em comparação com apenas 17% das mulheres brancas. Da mesma forma, enquanto 43% por cento das mulheres brancas dizem que procuraram tratamento no prazo de um ano ou menos, apenas 20% das mulheres negras fazem o mesmo. A preservação da fertilidade e uma futura gravidez são as principais preocupações das mulheres negras. 71% delas disse que preservar o útero foi muito importante ou importante, contra 41% das mulheres brancas.

“Miomas uterinos são um problema de saúde pública para as mulheres negras. O custo e o impacto sobre a saúde têm sérias implicações de saúde pública para esta comunidade”, enfatiza o ginecologista.

Miomas x Histerectomia

Miomas uterinos são a principal causa de histerectomia nos Estados Unidos (mil/ano), com quase metade das histerectomias sendo realizada em função dos miomas. “A histerectomia envolve a remoção permanente do útero, o que evita a recorrência do mioma, mas também resulta na perda de potencial reprodutivo”, esclarece o ginecologista.

A maioria das mulheres participantes da pesquisa (51%) destacou a importância de ter opções de tratamento para os miomas que lhes permita preservar o útero e 84% afirma que prefere uma opção de tratamento que não envolva uma cirurgia invasiva.

Tratamento do Mioma Uterino

Atualmente, a lista de abordagens terapêuticas disponíveis e eficazes no combate dos miomas uterinos é extensa. Esta inclui procedimentos invasivos e não-invasivos, que dispensam a necessidade de retirada do útero (histerectomia). Confira os procedimentos mais comuns:

  • Tratamentos medicamentosos;
  • Cirurgia para retirada dos miomas (miomectomia) via vídeo-histeroscopia, laparoscopia e laparotomia;
  • Embolização dos miomas uterinos;
  • Ablação do mioma por ultrassom focalizado guiado por ressonância magnética.

Se você tem experimentado um ou mais dos sintomas anteriormente citados, consulte um ginecologista de confiança o quanto antes, a fim de confirmar – ou descartar – a possibilidade de mioma uterino. O diagnóstico precoce é determinante na eficácia do tratamento. É possível pôr fim aos sintomas que limitam seu desempenho laboral e elevar sua qualidade de vida! Marque uma consulta e deixe-nos ajudar.

Artigo publicado em: 29/07/2015.

Artigo atualizado em: 21/03/2019.

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