O mioma representa o tumor benigno mais comum entre a população feminina: ele acomete cerca de 25% das mulheres em idade reprodutiva (entre 25 e 45 anos). Os miomas originam-se na parede do útero e são constituídos, basicamente, por fibras musculares. Não se trata de um câncer, e nem de uma condição que pode evoluir para um câncer.

Miomas uterinos causam medo e significativa morbidade e podem comprometer o desempenho laboral, de acordo com uma pesquisa com cerca de 1.000 mulheres nos EUA. Os resultados foram publicados no American Journal of Obstetrics and Gynecology e no Journal of Women's Health.

O que são miomas uterinos?

Os miomas manifestam-se em tamanhos variados e podem crescer nas paredes internas ou externas do útero. Em alguns casos, eles não vêm associados a sintomas e por isso permanecem subdiagnosticados. Seu diagnóstico se dá por meio da ultrassonografia pélvica ou transvaginal.

O grupo mais suscetível ao desenvolvimento da doença são as mulheres entre 35 e 50 anos, devido à exposição prolongada aos hormônios estrógeno e progesterona. Os casos sintomáticos podem provocar dor pélvica, aumento do volume abdominal, sangramento excessivo no fluxo menstrual e até infertilidade.

Impacto no trabalho — o que diz a pesquisa

"Muitas pessoas não sabem que a grande maioria das mulheres sofre com miomas uterinos e que esta condição pode causar morbidade significativa para aquelas que são sintomáticas", explica o ginecologista Carlos Del Roy, CRM-SP 62.224.

"Os pesquisadores descobriram que as mulheres que procuram tratamento adiam essa decisão em média 3,6 anos; 32% das mulheres esperam mais de cinco anos para tratar os miomas. A maioria delas relatou medos associados aos seus fibroides, incluindo ter medo de que os miomas cresçam (79%) e de que elas precisem de uma histerectomia (55%)", destaca o médico.

Quase dois terços (66%) das mulheres estavam preocupadas com os dias de trabalho perdidos devido aos seus sintomas, e 24% das mulheres empregadas declararam que seus sintomas impediram que atingissem um posto mais alto em suas carreiras.

Disparidade racial no impacto dos miomas

"Ter acesso a melhores opções de tratamento é particularmente importante para as mulheres negras, que experimentam os impactos sobre a fertilidade mais cedo em decorrência dos miomas. Os miomas uterinos têm uma prevalência três vezes maior entre as mulheres negras, além de um início mais precoce da doença", informa Carlos Del Roy.

Quase um terço (32%) das mulheres negras esperaram mais de cinco anos antes de procurar tratamento para seus miomas, em comparação com apenas 17% das mulheres brancas. A preservação da fertilidade é a principal preocupação: 71% das mulheres negras disse que preservar o útero foi muito importante ou importante, contra 41% das mulheres brancas.

Opções de tratamento

Atualmente, a lista de abordagens terapêuticas disponíveis e eficazes no combate dos miomas uterinos é extensa. Esta inclui procedimentos invasivos e não-invasivos, que dispensam a necessidade de retirada do útero. Os procedimentos mais comuns:

  • Tratamentos medicamentosos
  • Cirurgia para retirada dos miomas (miomectomia) via vídeo-histeroscopia, laparoscopia e laparotomia
  • Embolização dos miomas uterinos
  • Ablação do mioma por ultrassom focalizado guiado por ressonância magnética