É um tema polêmico. A Organização Mundial da Saúde diz que as cesarianas estão associadas a riscos tanto para a mãe quanto para o bebê, razão pela qual faz campanha para reduzir as cesarianas desnecessárias e as considera um último recurso, apenas para serem feitas quando medicamente necessárias.

Por outro lado, a instituição beneficente Birthrights e o National Institute for Health and Care Excellence (Nice), no Reino Unido, dizem que se as pessoas realmente querem cesarianas depois de considerar cuidadosamente os fatos, elas devem ser dadas.

À medida que o debate continua, o padrão no Reino Unido é claro: as cesarianas estão aumentando e rapidamente. Durante a década de 2010, as cesarianas aumentaram de 25% para cerca de 30% a 35% na Inglaterra, Escócia e País de Gales, muito acima da meta agora abandonada da OMS de 10-15%.

Embora persistam enormes desigualdades globais em segurança e acesso, as cesarianas são consideradas cirurgias importantes, mas seguras, em países de alta renda. No Reino Unido, pouco mais da metade das realizadas são cesarianas de emergência. As demais são cesarianas eletivas planejadas com antecedência.

Preocupado com o fato de que negar cesáreas causaria muito dano psicológico, o Nice mudou sua orientação em 2011 para dizer que, se alguém solicitar uma cesariana — a chamada "cesariana a pedido materno" (MRC) — deve ser oferecida uma consulta médica. Mas as diretrizes de Nice são apenas recomendações.

Brasil e Turquia têm taxas superiores a 50%, mas a OMS também considera a taxa do Reino Unido muito alta. De acordo com Ana Pilar Betrán, que lidera a campanha de cesariana da OMS, as altas taxas são cada vez mais motivadas por fatores não médicos, como a conveniência de agendar o parto em um dia conhecido que pode ser preparado e não colidir com o trabalho.

"A OMS quer e apoia e promove o cuidado respeitoso durante o parto vaginal e o uso de cesariana para mulheres necessitadas", diz ela. "Mas quando não há necessidade médica, não há benefício no procedimento." Novas evidências sobre cesarianas a pedido materno, no entanto, mostram que pode não ser tão simples assim.