{"id":345,"date":"2025-01-04T11:26:06","date_gmt":"2025-01-04T11:26:06","guid":{"rendered":"https:\/\/drdelroy.com.br\/site\/?p=345"},"modified":"2025-01-04T11:26:06","modified_gmt":"2025-01-04T11:26:06","slug":"endometriose","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/drdelroy.com.br\/site\/2025\/01\/04\/endometriose\/","title":{"rendered":"Endometriose"},"content":{"rendered":"\n<p>O que \u00e9 endometriose?<br>A endometriose \u00e9 uma doen\u00e7a cr\u00f4nica que afeta mulheres em idade reprodutiva. Consiste na presen\u00e7a de tecido endometrial fora do \u00fatero.<\/p>\n\n\n\n<p>Este tecido, que habitualmente reveste a cavidade uterina, cresce no in\u00edcio do ciclo menstrual, transforma-se ap\u00f3s a ovula\u00e7\u00e3o para permitir a implanta\u00e7\u00e3o de um poss\u00edvel embri\u00e3o e descama durante a menstrua\u00e7\u00e3o para voltar a crescer no ciclo seguinte.<\/p>\n\n\n\n<p>O tecido fora do \u00fatero responde de forma semelhante, pelo que os ciclos repetidos de crescimento e descama\u00e7\u00e3o (hemorragia) levam a inflama\u00e7\u00e3o e fibrose, que por vezes se associa a cole\u00e7\u00f5es de sangue e restos de c\u00e9lulas endometriais, chamados de endometriomas, e apelidados de \u201cquistos de chocolate\u201d, pela seu conte\u00fado castanho escuro.<\/p>\n\n\n\n<p>A apresenta\u00e7\u00e3o da endometriose pode variar desde um atingimento leve que passe despercebido ou provoque menstrua\u00e7\u00f5es um pouco mais dolorosas at\u00e9 doen\u00e7a mais grave, como endometriose profunda, que atinge tamb\u00e9m \u00f3rg\u00e3os fora do sistema reprodutivo, como o intestino.<\/p>\n\n\n\n<p>Localiza\u00e7\u00f5es como esta, intestinal, s\u00e3o de dif\u00edcil acesso cir\u00fargico. A endometriose no ov\u00e1rio, ou ov\u00e1rica, \u00e9 das apresenta\u00e7\u00f5es mais frequentes na pr\u00e1tica cl\u00ednica, porque consiste num quisto ou cisto no ov\u00e1rio, ou v\u00e1rios, com uma imagem ecogr\u00e1fica caracter\u00edstica, por isso de mais f\u00e1cil reconhecimento e que leva a elevada suspei\u00e7\u00e3o do diagn\u00f3stico.<\/p>\n\n\n\n<p>O tecido endometrial ect\u00f3pico (fora do s\u00edtio habitual) poder\u00e1 surgir tamb\u00e9m no \u00fatero. Esta endometriose \u201cno \u00fatero\u201d refere-se apenas ao m\u00fasculo, ou \u00e0 serosa (camada superficial do \u00f3rg\u00e3o), j\u00e1 que a cavidade uterina tem, como j\u00e1 abordamos, tecido endometrial.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando o tecido endometrial se encontra no interior da camada muscular do \u00fatero, ou seja, fora da cavidade endometrial mas limitada ao \u00fatero, \u00e9 chamada de adenomiose. \u00c9 uma doen\u00e7a, de certo modo, relacionada com a endometriose, mas no \u00fatero.<\/p>\n\n\n\n<p>V\u00e1rios tipos de endometriose, com particularidades, podem surgir, de acordo com os locais envolvidos:<\/p>\n\n\n\n<p>\u25cf Cavidade abdominal, que \u00e9 a localiza\u00e7\u00e3o, de longe, mais frequente. Sobretudo endometriose p\u00e9lvica, na parte inferior da cavidade abdominal (pelve), envolvendo les\u00f5es no peritoneu (endometriose peritoneal), que \u00e9 a camada que recobre os \u00f3rg\u00e3os abdominais, ou mesmo envolvendo mais profundamente esses \u00f3rg\u00e3os, nomeadamente a superf\u00edcie uterina, junto ao colo do \u00fatero (endometriose retrocervical e dos ligamentos \u00fatero sagrados) trompas e ov\u00e1rios, no intestino grosso(endometriose intestinal) e na bexiga;<\/p>\n\n\n\n<p>\u25cf Umbigo (endometriose umbilical);<\/p>\n\n\n\n<p>\u25cf Endometriose na parede abdominal, sobretudo em cicatrizes abdominais, por exemplo na cicatriz de cesariana;<\/p>\n\n\n\n<p>\u25cf Muito raramente, outras localiza\u00e7\u00f5es, como cavidade tor\u00e1cica (pulm\u00f5es) ou outras.<\/p>\n\n\n\n<p>Veja na foto superior, uma das imagens que se podem encontrar por laparoscopia na endometriose (laparoscopia em contexto de endometriose: \u201ckissing ovaries\u201d e quistos bilaterais).<\/p>\n\n\n\n<p>Estima-se que 1-2% das mulheres em idade reprodutiva tenham endometriose, e mais possam ter a doen\u00e7a presente. Como \u00e9 uma doen\u00e7a dependente de estrog\u00e9nios, resolve\/melhora com a menopausa ou com tratamentos que a simulem. \u00c9 portanto muito frequente, e muitas mulheres n\u00e3o sabem que a t\u00eam (e isto n\u00e3o \u00e9 necessariamente preocupante, desde que a doen\u00e7a n\u00e3o cause sintomas).<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Causas da endometriose<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>As causas ou causa da endometriose s\u00e3o desconhecidas, mas algumas teorias foram avan\u00e7adas:<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Teoria da Regurgita\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Como a cavidade uterina, onde se encontra habitualmente o endom\u00e9trio, tem comunica\u00e7\u00e3o com a cavidade abdominal, \u00e9 plaus\u00edvel que a passagem de c\u00e9lulas endometriais atrav\u00e9s das trompas seja a raz\u00e3o da sua presen\u00e7a dentro da cavidade abdominal, justificando o envolvimento dos \u00f3rg\u00e3os p\u00e9lvicos e restantes da cavidade abdominal atrav\u00e9s da implanta\u00e7\u00e3o deste tecido e o seu posterior desenvolvimento.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, sabe-se que muitas mulheres sem endometriose t\u00eam este tipo de passagem de c\u00e9lulas sem o desenvolvimento da doen\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Metaplasia do epit\u00e9lio cel\u00f4mico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>De uma forma simples, a teoria envolve a transforma\u00e7\u00e3o de c\u00e9lulas que recobrem os \u00f3rg\u00e3os abdominais noutras estruturas, neste caso endom\u00e9trio funcionante, provocada por inflama\u00e7\u00e3o ou estimula\u00e7\u00e3o hormonal desses tecidos.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Gen\u00e9tica e imunologia<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Sabe-se que a endometriose \u00e9 mais frequente se algum familiar direto tem ou teve a doen\u00e7a, bem como alguns povos\/ra\u00e7as.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Emboliza\u00e7\u00e3o hematol\u00f3gica ou linf\u00e1tica<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A localiza\u00e7\u00e3o de endometriose em alguns \u00f3rg\u00e3os, por exemplo pulm\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 explicada pelas teorias anteriores. A passagem de tecido endometrial pelos vasos linf\u00e1ticos ou sangu\u00edneos e a sua deposi\u00e7\u00e3o e implanta\u00e7\u00e3o \u00e0 dist\u00e2ncia est\u00e1 na origem desta teoria. Sabe-se que mulheres sem filhos, que come\u00e7aram a menstruar muito cedo e\/ou tiveram menopausa tarde, que t\u00eam ciclos menstruais muito curtos ou menstruam muitos dias t\u00eam maior probabilidade de desenvolver endometriose. Por outro lado, mulheres com muito filhos, que amamentaram muito tempo ou come\u00e7aram a menstruar tarde t\u00eam menor probabilidade de doen\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Sinais e sintomas da endometriose<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Os sinais e sintomas da endometriose podem ser muito variados. A dor p\u00e9lvica \u00e9 o principal sintoma. A dor \u00e9 habitualmente severa e c\u00edclica (coincide com a menstrua\u00e7\u00e3o), eventualmente associada a menstrua\u00e7\u00e3o abundante. Os sintomas podem iniciar dias antes da menstrua\u00e7\u00e3o e terminar dias depois. As dores podem variar muito em intensidade e frequ\u00eancia (o n\u00famero de vezes no m\u00eas por exemplo), e nem sempre a intensidade da dor se correlaciona com a extens\u00e3o da doen\u00e7a, ou seja, doentes com pouca dor podem ter doen\u00e7a extensa e vice-versa.<\/p>\n\n\n\n<p>Esta dor \u00e9, por vezes, dif\u00edcil de distinguir de uma simples dismenorreia (dor a menstruar), que \u00e9 muito comum. Na endometriose profunda, os sintomas podem incluir dor na rela\u00e7\u00e3o sexual, dor no fundo das costas e fundo da barriga. Se a bexiga ou intestino grosso estiverem envolvidos, poder\u00e1 existir perda de sangue c\u00edclica (durante a menstrua\u00e7\u00e3o, por exemplo), com a urina ou fezes, respetivamente.<\/p>\n\n\n\n<p>Endometriose em locais distantes da pelve pode apresentar-se com sintomas mais invulgares e raros, como perda de sangue c\u00edclica com tosse. A endometriose pode ser observ\u00e1vel no exame ginecol\u00f3gico, mas isto \u00e9 raro. A suspei\u00e7\u00e3o aumenta com massas detectadas na palpa\u00e7\u00e3o bimanual (\u201ctoque\u201d ginecol\u00f3gico), diminui\u00e7\u00e3o da habitual mobilidade do \u00fatero, habitualmente com dor aumentada no exame.<\/p>\n\n\n\n<p>O seu m\u00e9dico ter\u00e1 de descartar outras causas para estes sinais, mas a hist\u00f3ria cl\u00ednica e outros exames, ajudam a esclarecer o diagn\u00f3stico. Por vezes a primeira manifesta\u00e7\u00e3o (que a mulher se apercebe) de endometriose e infertilidade. Saiba, de seguida, como diagnosticar a endometriose.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Diagn\u00f3stico da endometriose<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O diagn\u00f3stico definitivo da endometriose \u00e9 feito atrav\u00e9s da an\u00e1lise de tecido obtido por bi\u00f3psia de um \u00f3rg\u00e3o afetado. Naturalmente, nem sempre \u00e9 poss\u00edvel ou desej\u00e1vel fazer este exame, pelo que, muitas vezes, o tratamento se inicia pela forte suspei\u00e7\u00e3o levantada pelos sinais e sintomas, no contexto de uma hist\u00f3ria cl\u00ednica compat\u00edvel e por outros exames, menos invasivos.<\/p>\n\n\n\n<p>Cada vez mais se considera que a visualiza\u00e7\u00e3o de les\u00f5es caracter\u00edsticas em laparoscopia poder\u00e1 fazer diagn\u00f3stico, mesmo sem bi\u00f3psia. A ecografia vaginal ser\u00e1 o exame de elei\u00e7\u00e3o para caracterizar inicialmente a doen\u00e7a, porque \u00e9 r\u00e1pido, essencialmente indolor, e fi\u00e1vel para identificar les\u00f5es grandes de endometriose.<\/p>\n\n\n\n<p>Como em qualquer ecografia (e em qualquer exame), a experi\u00eancia em endometriose do m\u00e9dico que a realiza \u00e9 importante. Um m\u00e9dico ginecologista especialista em endometriose ter\u00e1 maior facilidade em encontrar les\u00f5es pequenas, mas qualquer ginecologista ter\u00e1 experi\u00eancia suficiente em ecografia para detectar as les\u00f5es com base na cl\u00ednica, e identificar as caracter\u00edsticas ecogr\u00e1ficas mais comuns da doen\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>Veja ao lado uma imagem ecogr\u00e1fica t\u00edpica de cisto de endometriose no ov\u00e1rio. A resson\u00e2ncia magn\u00e9tica nuclear (RMN) \u00e9 o exame de elei\u00e7\u00e3o quando \u00e9 necess\u00e1rio avaliar doen\u00e7a com les\u00f5es mais pequenas (mas acima de 5mm), n\u00e3o identific\u00e1veis por ecografia, por exemplo les\u00f5es de endometriose profunda, ou quando \u00e9 necess\u00e1rio planear uma cirurgia numa apresenta\u00e7\u00e3o complexa da doen\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>A laparoscopia, ou videolaparoscopia \u00e9, cada vez mais, um importante componente do diagn\u00f3stico e tratamento da endometriose. Trata-se de uma cirurgia minimamente invasiva que permite observar e operar o interior da cavidade abdominal atrav\u00e9s de pequenos furos criados no abd\u00f4men, onde se insere uma c\u00e2mara (laparosc\u00f3pio ou videolaparosc\u00f3pio) e os instrumentos cir\u00fargicos. Est\u00e1 estabelecida como um componente de diagn\u00f3stico, dada a relativa facilidade em identificar caracter\u00edsticas espec\u00edficas das les\u00f5es de endometriose, e permite ainda o tratamento, afirmando-se como abordagem \u201cone-step\u201d (em um passo) em m\u00e3os experientes (ver Endometriose \u2013 tratamento).<\/p>\n\n\n\n<p>O diagn\u00f3stico diferencial (doen\u00e7as que \u00e9 necess\u00e1rio excluir) dos quistos de endometriose dos ov\u00e1rios e de outras estruturas, nomeadamente trompas, passa por vezes pelo cancro do ov\u00e1rio. Mais uma vez, os sinais e sintomas e os exames ajudar\u00e3o a excluir esta doen\u00e7a muito mais grave mas, felizmente, tamb\u00e9m muito mais rara do que a endometriose, nesta faixa et\u00e1ria. O seu m\u00e9dico saber\u00e1 distinguir as duas com base em toda a informa\u00e7\u00e3o dispon\u00edvel, e propor\u00e1 novos exames mais espec\u00edficos se se mantiver alguma d\u00favida em rela\u00e7\u00e3o ao diagn\u00f3stico.<\/p>\n\n\n\n<p>O ca 125, um marcador frequentemente usado para distinguir doen\u00e7a maligna do ov\u00e1rio, aparece frequentemente elevado na endometriose, pelo que a sua interpreta\u00e7\u00e3o deve ser cuidadosa, j\u00e1 que nestes casos a sua subida poder\u00e1 ser (e \u00e9 habitualmente) \u201cnormal\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Endometriose e fertilidade<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A endometriose \u00e9 frequentemente causa de infertilidade. At\u00e9 50% das mulheres com endometriose t\u00eam dificuldade em engravidar e at\u00e9 50% das mulheres com infertilidade t\u00eam endometriose. Isto n\u00e3o quer dizer que a gravidez n\u00e3o seja poss\u00edvel: quem tem endometriose pode engravidar naturalmente.<\/p>\n\n\n\n<p>Tudo depende da extens\u00e3o da doen\u00e7a (mais do que das dores) e dos \u00f3rg\u00e3os e localiza\u00e7\u00f5es envolvidas. Por exemplo, se as trompas de Fal\u00f3pio estiverem envolvidas num processo fibr\u00f3tico, poder\u00e3o estar oclu\u00eddas e n\u00e3o permitir a gravidez espont\u00e2nea (os ov\u00f3citos e os espermatoz\u00f3ides n\u00e3o se encontram). Nestes casos de oclus\u00e3o bilateral, independentemente da causa, a gravidez s\u00f3 poder\u00e1 ser poss\u00edvel atrav\u00e9s de t\u00e9cnicas de Procria\u00e7\u00e3o Medicamente Assistida (PMA), como Fertiliza\u00e7\u00e3o in Vitro (FIV).<\/p>\n\n\n\n<p>Existem v\u00e1rios mecanismos pelos quais pode ser dificultada ou impedida uma gravidez em mulheres com endometriose:<\/p>\n\n\n\n<p>\u25cf Disfun\u00e7\u00e3o ov\u00e1rica. Os ov\u00e1rios perdem a sua capacidade normal de produzir e libertar regularmente ov\u00f3citos (as c\u00e9lulas femininas envolvidas na fecunda\u00e7\u00e3o). Isto pode acontecer por diversos mecanismos, incluindo a presen\u00e7a de endometriomas (\u201cquistos\u201d);<\/p>\n\n\n\n<p>\u25cf Disfun\u00e7\u00e3o tubar. As trompas podem perder a capacidade de captar e transportar os ov\u00f3citos, ou estarem oclu\u00eddas, n\u00e3o permitindo que os ov\u00f3citos sejam fecundados e os embri\u00f5es passem para o \u00fatero;<\/p>\n\n\n\n<p>\u25cf Inactiva\u00e7\u00e3o do esperma. Os fen\u00f3menos inflamat\u00f3rios poder\u00e3o levar a inativa\u00e7\u00e3o do esperma por anticorpos ou macr\u00f3fagos (c\u00e9lulas que protegem o organismo), ou seja, levar a uma rea\u00e7\u00e3o do corpo contra o esperma.<\/p>\n\n\n\n<p>\u25cf Disfun\u00e7\u00e3o sexual. A dor relacionada com a doen\u00e7a pode impedir ou dificultar a frequ\u00eancia de contacto sexual desej\u00e1vel para que ocorra gravidez Endometriose e gravidez Habitualmente, uma mulher com endometriose que engravida n\u00e3o ter\u00e1 problemas adicionais na gravidez.<\/p>\n\n\n\n<p>Dependendo da extens\u00e3o da doen\u00e7a e sintomas pr\u00e9vios, algumas dores podem ser sentidas por causa das transforma\u00e7\u00f5es a que o \u00fatero e restantes \u00f3rg\u00e3os abdominais est\u00e3o sujeitos (sobretudo pelo aumento do \u00fatero). Como a gravidez induz um estado hormonal que n\u00e3o promove o \u201ccrescimento\u201d do endom\u00e9trio, a tend\u00eancia \u00e9 a doen\u00e7a se estabilizar durante a gravidez e a amamenta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Muitas vezes os sintomas melhoram, podendo at\u00e9 resolver completamente. Em situa\u00e7\u00f5es muito raras, complica\u00e7\u00f5es poder\u00e3o existir devido \u00e0 fragilidade e fibrose relacionadas com a doen\u00e7a, ao crescimento do \u00fatero e \u201carrastamento\u201d de outras estruturas aderentes a este.<\/p>\n\n\n\n<p>A presen\u00e7a da doen\u00e7a, \u00e0 semelhan\u00e7a de outras condi\u00e7\u00f5es m\u00e9dicas, est\u00e1 associada a um ligeiro aumento de complica\u00e7\u00f5es da gravidez, como gravidez ect\u00f3pica (gravidez fora do \u00fatero), abortamento e parto prematuro. Este efeito \u00e9 pequeno e devemos ter em conta que alguns destes eventos, como abortamento no primeiro trimestre, s\u00e3o j\u00e1 muito frequentes em qualquer mulher.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o h\u00e1 indica\u00e7\u00e3o para cuidados especiais em mulheres gr\u00e1vidas com hist\u00f3ria de endometriose.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Endometriose tem cura?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A endometriose \u00e9 uma doen\u00e7a cr\u00f4nica. Habitualmente resolve apenas com a menopausa. Felizmente, a maioria das mulheres afetadas pela doen\u00e7a conseguem ter vidas perfeitamente normais com nenhum tratamento ou com tratamentos simples, sem efeitos secund\u00e1rios significativos. Numa percentagem significativa de doentes a doen\u00e7a \u00e9 leve e piora pouco ao longo da vida, pelo que n\u00e3o \u00e9 necess\u00e1ria demasiada preocupa\u00e7\u00e3o com o diagn\u00f3stico. Saiba, de seguida, como tratar a endometriose.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Tratamento da endometriose<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O tratamento da endometriose engloba o tratamento f\u00edsico e psicol\u00f3gico, bem como de toda a patologia que aparece simultaneamente. Sendo uma doen\u00e7a cr\u00f3nica, o tratamento f\u00edsico consiste, sobretudo, em controlar a dor. N\u00e3o est\u00e1, infelizmente, provado que um medicamento ou rem\u00e9dio previne a progress\u00e3o da doen\u00e7a, nem existe qualquer tipo de tratamento natural comprovadamente eficaz.<\/p>\n\n\n\n<p>O tratamento deve estar perfeitamente alinhado com as necessidades da mulher, tendo em conta as queixas, a faixa et\u00e1ria, se t\u00eam ou n\u00e3o os filhos que pretende, etc.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 poss\u00edvel tratar quando a suspei\u00e7\u00e3o \u00e9 elevada, mesmo sem diagn\u00f3stico definitivo (histol\u00f3gico ou por laparoscopia).<\/p>\n\n\n\n<p>Tratamento m\u00e9dico<\/p>\n\n\n\n<p>Sendo uma doen\u00e7a dependente das hormonas femininas (estrog\u00e9nios), os tratamentos mais eficazes controlam ou limitam a presen\u00e7a destas hormonas no corpo, controlando a doen\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>Existem v\u00e1rios f\u00e1rmacos que ajudam no controlo da doen\u00e7a, e apresentam-se de seguida os mais usuais:<\/p>\n\n\n\n<p>\u25cf Analg\u00e9sicos: O tratamento mais simples consiste em anti-inflamat\u00f3rios n\u00e3o esteroides (AINES), alguns dos quais de venda livre, que poder\u00e3o controlar a dor p\u00e9lvica;<\/p>\n\n\n\n<p>\u25cf Anticonceptivos orais: Um anticoncepcional oral (p\u00edlula), eventualmente de forma cont\u00ednua (sem intervalo para hemorragia), pode controlar o ciclo menstrual e diminuir substancialmente a dor, por estabilizar tamb\u00e9m o tecido envolvido na doen\u00e7a;<\/p>\n\n\n\n<p>\u25cf Progestativos: Estas hormonas (tamb\u00e9m usadas nas p\u00edlulas) s\u00e3o administr\u00e1veis por via oral, sob a forma de implante (\u201cdepot\u201d) ou por um sistema intra-uterino e s\u00e3o igualmente bem toleradas;<\/p>\n\n\n\n<p>\u25cf Agonistas GnRH: Estes medicamentos inibem de forma tempor\u00e1ria a estimula\u00e7\u00e3o do ciclo menstrual, essencialmente causando uma \u201cmenopausa\u201d qu\u00edmica, que \u00e9 imediatamente revers\u00edvel no final do tratamento. Consiste na administra\u00e7\u00e3o de uma inje\u00e7\u00e3o com efeitos durante algumas semanas. Pelos seus efeitos secund\u00e1rios, essencialmente semelhantes aos da menopausa, este tratamento n\u00e3o \u00e9 habitualmente usado mais do que 6 meses e pode ser mal tolerado.<\/p>\n\n\n\n<p>De forma geral, as doentes devem ter acompanhamento m\u00e9dico durante o tratamento, e deve existir uma progress\u00e3o l\u00f3gica no mesmo, usando o f\u00e1rmaco mais in\u00f3cuo e eficaz no controlo da doen\u00e7a em cada caso. Apesar de algumas terap\u00eauticas poderem ser usadas de forma segura indefinidamente, outras poder\u00e3o ser prejudiciais, pelo que a doente n\u00e3o se deve automedicar.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O que \u00e9 endometriose?A endometriose \u00e9 uma doen\u00e7a cr\u00f4nica que afeta mulheres em idade reprodutiva. Consiste na presen\u00e7a de tecido endometrial fora do \u00fatero. Este tecido, que habitualmente reveste a cavidade uterina, cresce no in\u00edcio do ciclo menstrual, transforma-se ap\u00f3s a ovula\u00e7\u00e3o para permitir a implanta\u00e7\u00e3o de um poss\u00edvel embri\u00e3o e descama durante a menstrua\u00e7\u00e3o 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