Falar sobre Incontinência Urinária - Sintomas - Tratamentos - Dr Del Roy
falar sobre incontinência urinária

Precisamos falar sobre incontinência urinária

Precisamos falar sobre incontinência urinária. Há quarenta e três anos atrás, Woody Allen dirigiu a comédia Tudo o Que Você Sempre Quis Saber Sobre Sexo * Mas Tinha Medo de Perguntar. Hoje, menos pessoas estão relutantes em falar sobre sexo, mesmo em público, mas um forte tabu ainda está presente em relação a alguns temas médicos, tais como câncer de pênis, hemorroidas, flatulência, infertilidade, AIDS, incontinência urinária, dentre muitos outros.

Falar sobre Incontinência Urinária

A incontinência urinária, ou a perda involuntária de urina, é o que muitas pessoas prefere classificar como um “incidente”. E se foi apenas um “incidente”, por que tocar no assunto, não é mesmo? “Quer se trate de uma perda de urina durante o exercício físico, durante um espirro, durante uma risada ou de uma necessidade incontrolável súbita de ir ao banheiro com frequência, que resulta em roupas íntimas molhadas, calças molhadas, almofadas molhadas, cadeiras molhadas, a incontinência urinária é um problema real, que assola muitas pessoas mais velhas, mais frequentemente mulheres”, afirma o ginecologista Carlos Del Roy, CRM-SP 62.224.

Os que sofrem com o problema podem recorrer a fraldas para adultos, planejar seu dia em torno do acesso a banheiros ou desistir de atividades que amam, como trabalhar ou se exercitar, por exemplo. Segundo dados da Associação Nacional de Continência, cerca de 13 milhões de pessoas – um em cada três idosos – vivem com esta angústia. Entre os moradores em asilos, os números sobem: sete em cada dez.

“A incontinência urinária não só causa grande infelicidade, mas também pode aumentar a deficiência, o isolamento social e os custos gerais com os cuidados de saúde. O problema tem alto impacto sobre a qualidade de vida do paciente. Não só isso, ele é associado com perda de independência, quedas, fraturas e aumenta o risco de internações de longo prazo”, diz o médico.

Altamente Tratável

Apesar das consequências graves, a incontinência urinária é seriamente negligenciada e subtratada. E a condição não tem que necessariamente ser encarada desta maneira. Poucos idosos precisam usar fraldas para adultos porque a incontinência urinária é altamente tratável. Não é sempre uma parte normal ou inevitável do envelhecimento. “E é exatamente pelo caráter desconfortável dessa condição que precisamos falar sobre incontinência urinária com pacientes, com profissionais de saúde, com médicos, com enfermeiros”, defende Carlos Del Roy.

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É de responsabilidade do paciente perguntar sobre o assunto. É importante ter tato com o paciente que tem o problema, pois ele precisa superar seu embaraço e trazer o assunto à tona. Metade de todas as pessoas que tem incontinência urinária nunca vai abordar o tema. “Mas é dever do profissional de saúde saber que todo paciente tem um certo pudor um tocar neste assunto, assim, cabe ao profissional de saúde abordar o tema, especialmente se há alguma pista. É simplesmente inaceitável que metade de todas as pessoas com incontinência urinária não recebam qualquer ajuda, ou que 40% daquelas que tem coragem de buscar ajuda não recebam nenhum cuidado”, diz o médico.

O que o Paciente Precisa Saber

Não apenas 90% das mulheres que enfrentam o problema e recebem tratamento para incontinência urinária obtém bons resultados, como elas também não precisarão de cirurgia ou de medicamentos. Isto acontece porque a incontinência urinária não é uma doença propriamente. Ela é causada por uma combinação de problemas e, por vezes, hábitos e medicamentos.

“A bexiga tem duas funções principais: ela armazena a urina quando você não pode urinar e, então, quando você pode ir ao banheiro, ela deve ser esvaziada sob demanda. O grande problema que os idosos enfrentam é geralmente conhecido como bexiga hiperativa ou incontinência de urgência. A bexiga hiperativa acontece quando o detrusor (o principal músculo contrátil da bexiga) não consegue funcionar corretamente, armazenando ou liberando a urina. Os sintomas do mau funcionamento podem ser vontade súbita de ir ao banheiro, um vazamento que vem sem aviso ou um vazamento que acontece antes que a pessoa possa chegar ao banheiro”, explica o ginecologista.

Também é muito comum, particularmente em mulheres, a incontinência urinária de esforço, um escape de urina que acontece ao tossir, espirrar, rir, levantar ou mesmo apenas subir escadas. “O problema pode ser atribuído ao enfraquecimento dos músculos de suporte do assoalho pélvico nas décadas seguintes aos partos, mas mesmo mulheres que nunca estiveram grávidas podem ter incontinência urinária. Homens também podem desenvolver incontinência urinária de esforço após a cirurgia de câncer de próstata”, explica Dr Carlos Del Roy.

Outra condição conhecida como deficiência intrínseca do esfíncter – enfraquecimento dos músculos do esfíncter ureteral ou do mecanismo de fechamento – tem o mesmo resultado infeliz: escape de urina.

As duas condições – a incontinência por esforço e a bexiga hiperativa – muitas vezes ocorrem em conjunto, de modo que a bexiga é hiperativa e o assoalho pélvico é fraco.

Menos comum é um problema de esvaziamento da bexiga – às vezes erroneamente chamado de “incontinência por transbordamento” – que faz com que seja necessário ir mais vezes ao banheiro, com menos eficiência. “Em alguns casos, a condição pode levar a uma incapacidade completa de urinar, uma condição chamada de retenção urinária. As causas para essa fraqueza na bexiga podem incluir medicamentos, diabetes avançada ou problemas com o sistema nervoso central, uma lesão espinhal ou doenças como a esclerose múltipla”, explica o ginecologista.

Os homens podem ter uma obstrução mecânica à passagem da urina (geralmente devido a um aumento da próstata). A obstrução é menos comum em mulheres, mas pode ocorrer como uma complicação da fraqueza do assoalho pélvico ou da cirurgia de bexiga.

Em Busca de Tratamento – Falar sobre Incontinência Urinária

A maioria dos casos de incontinência pode ser diagnosticada simplesmente com o relato do paciente, dos sintomas, avaliação das condições médicas e dos medicamentos que estão sendo ingeridos, um exame físico básico e um teste para infecção de urina.

O médico também pode solicitar que o paciente mantenha um “diário da bexiga”, em que é anotado todos os registros de esvaziamento da bexiga, dia e noite. O paciente pode usar uma comadre – um recipiente de recolhimento de urina colocado sob o assento de seu banheiro – para ajudá-lo a medir o quanto ele libera de urina. O paciente também pode tomar nota de eventuais acidentes e de suas consequências: uma gota? Completamente encharcado? Finalmente, houve acontecimentos que desencadearam o vazamento da urina? Risadas? Ingestão de café? Isso pode ajudar no diagnóstico e no tratamento, especialmente se a pessoa tem de ir com frequência ao banheiro durante o dia ou tem que levantar-se várias vezes à noite para urinar, um problema chamado noctúria.

“Para pessoas saudáveis, o próximo passo é a terapia de estilo de vida. Se o paciente é muito obeso, perder um pouco de peso vai ajudar. Parar de fumar. Limitar a cafeína. Se o paciente tiver problemas com problemas com noctúria, evitar beber líquidos após às 19:00. Se a constipação é um problema, tratá-la”, orienta o médico.

Em seguida, vem a terapia comportamental, o que significa uma combinação de duas técnicas: bexiga e exercícios para os músculos pélvicos e treinamento da bexiga. Contratação prática e fortalecimento dos músculos do assoalho pélvico, estes são chamados os exercícios de Kegel, muitas vezes recomendados para mulheres grávidas.

Para aqueles com problemas urgentes, a estratégia é um pouco diferente. O treinamento da bexiga envolve uma programação regular e aprender a treinar o sistema nervoso central para controlar impulsos fortes (“mente sobre a bexiga”). “Falar sobre incontinência urinária – Em vez de correr para o banheiro, tão rapidamente quanto possível, o paciente deve segurar um pouco. Fazer contrações da musculatura pélvica e se concentrar em sentir a urgência recuar (como uma onda decrescente). A urgência vai diminuir, então ele poderá chegar ao banheiro a tempo”, ensina Carlos Del Roy.

Não Agrave o Quadro de Saúde

Muitos medicamentos causam incontinência urinária, incluindo:

  • Alguns medicamentos para pressão arterial;
  • Alfa-bloqueadores (também usados para tratar a pressão arterial; provoca incontinência nas mulheres);
  • Antipsicóticos;
  • Antialérgicos (incluindo Benadryl e outros anti-histamínicos);
  • Inibidores da ECA (para doenças cardíacas);
  • Diuréticos de alça (por insuficiência cardíaca congestiva);
  • Inibidores da colinesterase (por exemplo, Aricept, dada para a doença de Alzheimer).

“A cirurgia deve ser o último recurso. Enquanto há uma série de opções, o tipo mais importante e útil de cirurgia é para mulheres com incontinência urinária de esforço. Uma abordagem menos permanente para a incontinência de esforço é a injeção de materiais (colágeno ou esferas de carbono) para os tecidos circundantes da uretra para ajudar a fechar a abertura da bexiga”, diz o ginecologista.

Menopausa e Incontinência

Algumas mulheres tornam-se incontinentes durante a menopausa por causa da queda nos níveis de estrogênio. Para elas, o estrogênio tópico de curto prazo (geralmente um creme ou gel) pode ser útil, mas muitas não se beneficiam e precisam das outras abordagens já mencionadas. É também importante notar que o estrogênio oral (pílula forma) provoca incontinência ou pode agravar um quadro de incontinência.

“Nova pesquisa indica que a toxina botulínica, normalmente usada para remover o aparecimento de rugas, também pode ser útil para a incontinência de urgência que não responde ao tratamento de primeira linha. A droga recentemente aprovada para esse fim tanto pela Food and Drug Administration, quanto pela Anvisa”, informa Carlos Del Roy.

Quando a Incontinência Urinária é um Sintoma

Às vezes, a incontinência pode ser um sinal de um problema maior ou mais urgente. Por isso é sempre importante discutir a situação com um médico. Confira as situações de risco:

  • Sangue na urina (chamado hematúria);
  • Dor pélvica;
  • Sintomas que vêm muito rápido ou muito dramaticamente. Por exemplo, micção frequente incontrolável pode ser um sinal precoce de diabetes. Dor pélvica súbita com incontinência pode ser um sinal de câncer na pélvis;
  • Doença neurológica complexa diferente de demência;
  • Prolapso do assoalho pélvico (um enfraquecimento dos músculos pélvicos que permite que órgãos como a bexiga ou o útero escorreguem e às vezes até se projetem a partir da vagina);
  • Dor ao urinar (disúria) ou frequentes pequenos vazios (um sinal de possível cistite intersticial).

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