Importantes Pesquisas sobre o Câncer de Mama | Dr. Carlos del Roy - Ginecologista em SP

Importantes Pesquisas sobre o Câncer de Mama

Saber um pouco mais sobre as pesquisas que estão sendo realizadas sobre o câncer de mama  pode ajudar a salvar mais vidas. O câncer de mama é o mais prevalente em mulheres, excetuando-se os casos de pele não melanoma, representando 25% do total de casos de câncer no mundo, em 2012, com aproximadamente 1,7 milhão de casos novos naquele ano. É a quinta causa de morte por câncer em geral (522.000 óbitos) e a causa mais frequente de morte por câncer em mulheres.

No Brasil, excluídos os tumores de pele não melanoma, o câncer de mama também é o mais prevalente em mulheres de todas as regiões, exceto na região Norte, onde o câncer do colo do útero ocupa a primeira posição.

“O câncer de mama é um grupo heterogêneo de doenças, com comportamentos distintos. A heterogeneidade deste câncer pode ser observada pelas variadas manifestações clínicas e morfológicas, diferentes assinaturas genéticas e consequentes diferenças nas respostas terapêuticas”

explica o mastologista Carlos Del Roy, CRM-SP 62.224. Segundo o médico, o espectro de anormalidades proliferativas nos lóbulos e ductos da mama inclui hiperplasia, hiperplasia atípica, carcinoma in situ e carcinoma invasivo. Dentre esses últimos, o carcinoma ductal infiltrante é o tipo histológico mais comum e compreende entre 80 e 90% do total de casos.

Pesquisas sobre o Câncer de Mama

“O sintoma mais comum de câncer de mama é o aparecimento de nódulo, geralmente indolor, duro e irregular, mas há tumores que são de consistência branda, globosos e bem definidos. Outros sinais de câncer de mama são edema cutâneo semelhante à casca de laranja; retração cutânea; dor; inversão do mamilo; hiperemia; descamação ou ulceração do mamilo; e secreção papilar, especialmente quando é unilateral e espontânea. A secreção associada ao câncer geralmente é transparente, podendo ser rosada ou avermelhada devido à presença de glóbulos vermelhos. Podem também surgir linfonodos palpáveis na axila”. destaca Carlos Del Roy.

O mastologista relacionou, a seguir, algumas pesquisas muito relevantes sobre o câncer de mama. Confira:

O “Efeito Angelina” é Real

A atriz Angelina Jolie provocou uma grande discussão social sobre a doença, em 2013, quando optou por fazer uma dupla mastectomia preventiva. Ela revelou que possui um gene hereditário que a coloca em alto risco de desenvolver câncer de mama e de ovário (cerca de 87 %). No início deste ano, a atriz fez uma nova cirurgia, retirando os ovários, visando prevenir o câncer de ovário.

“Conhecido como BRCA1, apenas 12 % das mulheres tem o mesmo gene que a atriz. Em 2013, a decisão de anunciar publicamente a dupla mastectomia foi elogiada como um divisor de águas nos esforços para convencer as mulheres a realizar os exames e sensibilizá-las para a necessidade da detecção precoce do câncer de mama”, destaca o mastologista.

A atriz esclareceu que, embora a mutação genética sozinha não fosse uma razão para recorrer à cirurgia, já que existem outras opções médicas disponíveis, o histórico de sua família influenciou sua decisão de passar por uma nova intervenção cirúrgica. A retirada dos ovários induz à menopausa e, por isso, a atriz não poderá ter mais filhos e atualmente busca medicamentos e tratamentos hormonais alternativos.

Segundo Carlos Del Roy, “as cirurgias, polêmicas ou não, influenciaram o comportamento de outras mulheres no mundo. Um estudo publicado no Breast Cancer Research revelou que o anúncio de Jolie pode ter sido o responsável por uma onda de pedidos de aconselhamento genético e testes para o risco de câncer de mama. No Reino Unido, os encaminhamentos para testes genéticos mais do que duplicou após Jolie anunciar em público sua primeira cirurgia, e eles eram feitos, em sua maioria, por mulheres que tinham uma boa razão para isso: muitas tinham uma história familiar de câncer de mama, assim como Jolie. Dados de 12 clínicas diferentes e de 9 centros de testes genéticos no Reino Unido revelaram que a busca por informações sobre o teste genético para o BRCA1 durou do período imediatamente após o anúncio (março) até outubro do mesmo ano”, informa.

Exame de Sangue Poderá em Breve Prever Risco do Câncer de Mama

O teste para a mutação do gene BRCA1/BRCA2 não é a única maneira para testar o risco elevado de câncer de mama. Um exame de sangue que está sendo desenvolvido por pesquisadores da Universidade College London será capaz de prever a probabilidade de uma mulher desenvolver o câncer através do teste de uma determinada assinatura epigenética – a forma como determinados genes se expressam ou a forma como os genes são ativados “on”ou “off”- que está presente em mulheres que tiveram câncer de mama, mas não têm a mutação do gene BRCA1/BRCA2.

“Os dados são encorajadores, uma vez que mostra o potencial de um exame de sangue baseado em testes de epigenética identificar o risco de câncer de mama em mulheres sem mutações genéticas conhecidas. O teste já estava sendo realizado, em caráter experimental, em seres humanos, quando foi anunciado em junho de 2014”, afirma o médico.

Imagens 3-D podem ser o futuro da detecção de câncer

Um novo tipo de técnica de imagem 3-D, chamada de tomossíntese ou mamografia 3D poderia fazer a busca mais precisa do tumor. Um estudo publicado no JAMA descobriu que em mais de 170.000 exames que usaram tanto a mamografia digital quanto a tomossíntese, os médicos foram capazes de aumentar as taxas de detecção do câncer e diminuir a quantidade de vezes que pediam ao paciente para repetir os exames em função de uma leitura inconclusiva das imagens.

“Os pesquisadores descobriram que o uso da mamografia digital e da tomossíntese juntas são mais capazes de detectar o câncer do que apenas a mamografia sozinha (a normal). A técnica de detecção combinada também detectou as formas de câncer mais invasivas, além de reduzir as taxas de repetições de exames”, conta Carlos Del Roy.

Certas pílulas anticoncepcionais podem aumentar o risco

Segundo estudo publicado no Cancer Research mulheres que fazem uso de certos tipos de contraceptivos orais – especificamente pílulas com altas doses de estrogênio – têm um risco 50% maior de câncer de mama do que as mulheres que nunca tomaram pílulas anticoncepcionais ou que pararam de tomar pílulas anticoncepcionais.

“Mas os resultados devem ser interpretados com cautela. Os autores do estudo ponderam que o câncer de mama é raro em mulheres jovens e há inúmeros benefícios para a saúde estabelecidos associados ao uso de contraceptivos orais que devem ser considerados”, pondera o mastologista.

Em vez de perguntar às mulheres há quanto tempo elas usavam o anticoncepcional oral, que é a norma nesses tipos de estudos, os pesquisadores buscaram informações sobre as marcas de comprimidos, doses e duração de uso de farmácias. E analisaram dados de 1.102 mulheres com câncer de mama, comparando-as com 21.952 mulheres do grupo controle. Os pesquisadores descobriram que as pílulas com estrogênio elevado aumentaram o risco de câncer de mama em 2,7 vezes, enquanto as pílulas com diacetato de etinodiol  aumentaram o risco 2,6 vezes. Pílulas com baixa concentração de estrogênio não aumentaram o risco de câncer.

Medicamentos empregados em tratamentos de fertilidade não aumentam o risco

As mulheres que tomam as droga mais comuns empregadas nos tratamentos de infertilidade, como Clomid ou gonadotrofinas ( Pregnyl, Novarel, Profasi) não precisam se preocupar, pois a luta pelo bebê não aumenta o risco de câncer de mama. “Um estudo, publicado na revista Cancer Epidemiology, Biomarkers & Prevention, que acompanhou mulheres com mais de 30 anos, descobriu que tomar essas drogas não aumentou o risco de câncer de mama, com exceção de uma quantidade muito pequena de mulheres que tomou Clomid por 12 ou mais ciclos, que tiveram um risco maior de que 1,5% de contrair câncer de mama quando comparadas às mulheres que nunca tinham tomado medicamentos para a fertilidade. As mulheres que não eram capazes de conceber, depois de tomar Clomid ou gonadotrofinas, apresentavam quase o dobro do risco de câncer de mama do que aquelas que nunca tomaram qualquer medicamento, o que sugere que as condições que as tornavam inférteis também podem ter contribuído para o seu eventual diagnóstico de câncer de mama”, afirma o médico.

Os especialistas em reprodução humana recomendam, hoje, apenas seis ciclos de Clomid™ com até 100 mg por dose antes do emprego de outras estratégias para engravidar. No passado, os médicos costumavam prescrever até 250 mg por dose, por muitos anos. Os dados da pesquisa incluíram informações de mais de 12.000 mulheres que fizeram tratamento para infertilidade entre 1965 e 1988.

Diabetes pode aumentar o tamanho dos tumores de mama

O diabetes no adulto pode estar fazendo com que os tumores de mama cresçam mais e mais rápido. Um estudo, apresentado durante a Conferência Europeia sobre Câncer de Mama de 2014, descobriu que as pacientes com diabetes tipo 2 são mais propensas a ter tumores avançados, quando os médicos diagnosticam o câncer de mama.

“Segundo os pesquisadores, a hiperinsulinemia – onde há aumento dos níveis de insulina em circulação no sangue – pode estimular o crescimento de células tumorais, fornecendo-lhes grandes quantidades de glicose. Eles acreditam que o rigoroso controle dos níveis de açúcar no sangue é essencial para o sucesso do tratamento de câncer de mama”, explica Carlos Del Roy.

Qualidade do sono é muito importante para a recuperação

“Dormir bem não só vai deixar a paciente descansada e seu sistema imunológico mais forte, mas também pode prever uma melhor recuperação para pacientes com câncer de mama. Pesquisadores da Universidade de Stanford descobriram que a eficiência do sono ou a proporção de sono real em relação ao tempo total gasto na cama aumentou o tempo de sobrevida das pacientes com câncer de mama avançado”, informa o médico.

Analisando os dados de um grupo de 97 mulheres com câncer de mama avançado, durante seis anos, os pesquisadores descobriram que as pacientes que dormiam bem tinham sobrevida médica de 68,9 meses, enquanto as que tinham distúrbios do sono tinham sobrevida média de 33,2 meses. Uma boa noite de sono tem um efeito fortemente protetor, mesmo com o câncer de mama avançado.

Outro estudo do sono demonstrou como a melatonina, o hormônio que nos deixa sonolentos à noite, é absolutamente crucial para o sucesso do tamoxifeno, um medicamento contra o câncer de mama amplamente utilizado. O único problema é que expor-se à luz da TV, do telefone celular ou do computador à noite corta a produção de melatonina, o que por sua vez poderia enfraquecer o tamoxifeno.

Para demonstrar isso, pesquisadores da Universidade de Tulane implantaram células cancerígenas de mama humana em ratos, em seguida controlaram a exposição dos animais à luz, alternando entre 12 horas de luz e 12 horas de escuridão total, durante várias semanas. Em seguida, repetiram os ciclos de luz / escuridão, mas empregando uma luz muito fraca durante a parte escura, o que suprimiu a produção de melatonina. O tamoxifeno foi mais eficaz em ratos que tiveram 12 horas de escuridão não adulterada ou em ratos que receberam suplementos de melatonina.

Os altos níveis de melatonina, à noite, colocam as células de câncer de mama para “dormir”, desligando os principais mecanismos de crescimento. Estas células são vulneráveis ao tamoxifeno. Mas quando as luzes estão acesas e a melatonina é suprimida, as células de câncer de mama acordam e ignoram o tamoxifeno.

Níveis de vitamina D podem prever sobrevida do paciente com câncer de mama

Pacientes com altos níveis de vitamina D têm mais que o dobro da probabilidade de sobreviver ao câncer de mama do que mulheres com baixos níveis de vitamina D, de acordo com um estudo publicado na revista Anticancer Research.

Pesquisadores da Universidade da Califórnia, San Diego, analisaram cinco estudos anteriores de pacientes com câncer de mama, reunindo dados de 4.443 pessoas. As mulheres que tinham uma maior chance de sobreviver ao câncer de mama tinham um nível médio de vitamina D de 30 nanogramas por mililitro, enquanto as mulheres que tinham menos chances de sobreviver tinham uma média de 17 gramas por mililitro nano. Infelizmente, a média das pacientes com câncer de mama, nos EUA, tem níveis de vitamina D que mais se assemelham ao último percentual, não ao primeiro.

“Como este foi um estudo observacional, os pesquisadores recomendaram ensaios clínicos randomizados para confirmar a relação causal, mas acrescentaram que não há mal nenhum em adicionar suplementos de vitamina D ao tratamento do câncer de mama agora”, destaca Carlos Del Roy.

Vacinas contra o câncer de mama podem ser uma realidade, em breve

Uma vacina experimental de câncer de mama chamada GP2 está indo muito bem nos testes em humanos e pode, no futuro, ser uma opção importante para evitar a recorrência da doença em sobreviventes de câncer de mama.

Os pesquisadores dividiram 190 sobreviventes de câncer de mama em dois grupos: um de controle que recebeu apenas um estimulante imunológico e um grupo experimental que recebeu o estímulo imunológico e a vacina. O grupo que recebeu a vacina experimental teve uma reduzida taxa de recorrência do câncer da mama de 57% em comparação ao grupo controle.

“O objetivo final é desenvolver uma ferramenta preventiva que irá minimizar o risco de recorrência da doença em mulheres que já tiveram câncer de mama e para quem as terapias convencionais falharam”, diz o médico.

Nunca é tarde para fazer mudanças no estilo de vida

“Dois estudos da Yale Cancer Center descobriram que sobreviventes de câncer de mama que começam a se exercitar regularmente e a comer de maneira saudável podem diminuir o risco de recorrência do câncer de mama e de morte, além de melhorar a qualidade de vida globalmente”, conta Carlos Del Roy.

O primeiro estudo dividiu sobreviventes obesas ou com sobrepeso em dois grupos: aquelas que receberam ajuda e aconselhamento sobre a perda de peso e aquelas que receberam apenas um folheto. Além de perder mais peso, as mulheres que receberam ajuda em relação à perda de peso experimentaram uma diminuição na proteína C-reativa, que está ligada a um maior risco de recorrência do câncer de mama.

O segundo estudo dividiu as sobreviventes de câncer de mama em dois grupos: aquelas que treinavam duas vezes por semana e faziam 2,5 horas de atividade aeróbica por semana e aquelas que não se exercitavam. Após um ano, as praticantes de exercícios físicos também experimentaram um decréscimo significativo na proteína C-reactiva em comparação ao grupo de controle, além de redução do peso e de gordura corporal.

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